O quarto Escuro

O rapaz acordou sobre a pelicula linear dos olhos,

Na penumbra da escuridão.

Queria ele ser uma peculiar libelola incandescente e voar

Seria o quarto uma passagem sombria que se impunha em objecção.

Mas a manhã silenciosa e o sol ausente

Traziam efeitos de luz sem fim

Na tonalidade desesperante e absorvente

Matava a cor e ria-se de mim

Quando o dia não se trouxe em si

Naquele quarto fechado e cinzento

E num ecrã simulava-se o tempo

De um rapaz triste e calado

E foi onde me deitei

Sobre o cobertor desordenado que a cama temia

Entre as paredes de uma prisão

Que tão profundamente enganavam os sentidos da visão

O tempo foi passando sem o rapaz se mexer,

Nem a janela se incomodou de abrir,

Nem a vontade se dignou de aparecer

E no desígnio do espaço, o rapaz foi querendo viver…

Mas à minha volta, solidificava um muro

Que naquela escuridão o computador parecia querer aliviar

Trás a nuvem de silêncio o pensamento

Que fica apenas em encanto, o quarto escuro

JP.

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